sexta-feira, 22 de maio de 2009

As aulas de geografia dão me son(h)o(s) *

Ai, nem quero imaginar, vamos nós para Londres para o ano e vamos andar a mendigar nas ruas para pagar propinas!
(Cabeça no teu ombro e um sorrisinho matreiro de quem já sabe o que lhe vai explodir boca fora como resposta.)

Toda a gente nos grita aos ouvidos a desgraça em que anda a economia mundial. Pais e professores com o papel de estou-aqui-para-te-ensinar-como-elas-doem bem vestidinho mostram-nos como é duro resistir, como é preciso ter pulso nas decisões, ter objectivos bem delineados e como elas doem mesmo. Explicam-nos como é quase preciso uma fortaleza à volta do coração e da dignidade e como é crucial o foco e a concentração.
Ora, cabeça no teu ombro e sorrisinho matreiro, esqueço-me que a crise é contagiosa e que pior que a crise económica (que eu mal entendo) é a crise de valores (essa sim, que me tira do sério e à qual eu espero bem ter ganho imunidade). Esqueço gritos que me puxam para a terra e ignoro qualquer fortaleza que me aconselhem a por à volta do coração: que entre tudo que há a entrar que a dignidade há-de escolher correctamente o que fica. Troco a palavra objectivo por sonho, sem perder a vontade de o agarrar, e, ali no teu ombro, vejo-me sentada numa estação de metro qualquer, guitarra no colo e vontade-de-ser na voz, contigo ao meu lado, com uma câmara a perseguir-me e ao resto de mundo que por ali anda, com o olhar a dizer que deste plano tudo parece incrível e com a sensação de que as propinas assim sabem bem pagar. Esvazio-me de toda e qualquer dureza que me exijam e encho-me de mim, de ti e dos nossos sonhos, e, ali, em frente à professora que nos impõe um mundo de crise, poluição e desgraças que tais, vejo tão mais um mundo colorido, com arte em bolhas de sabão a cada esquina, em cada voz, em cada imagem.
É preciso pés-na-terra, bem sei, mas sabe tão melhor voar... E eu sou hedonista por natureza, e, contas feitas, não sei ser de outra maneira. Portanto, quando a crise me custar bem na pele e eu me vir de asas cortadas, já que a guitarra e a voz a explodir de vontade não me vão servir de muito, talvez bata com a cabeça nas paredes por não ter evitado a situação. Mas pelo menos senti e enchi-me do que me sabe melhor. Para já, caminho com o que sei e tenho para sonhos guardados em cores e mundos e caminho visando chegar a eles de facto, procurando não me perder entretanto e me ver impedida sequer de lá chegar e provar o seu sabor que me enche o peito num suspiro só. Fecho os olhos e mais do que sonho, acredito que daqui a uns anos junto-me a ela que lá chegou, e contra ventos e marés, deu-lhes a voz e o talento que a fazem e conseguiu saltar por cima de desgraças a níveis mundiais que destroem sonhos. Mas haja mais como nós, de espírito livre, sonhos esvoaçantes que pintam vontades a cores e lhes dão vida, tanto quanto se quer!

Encaras-me e ao meu sorriso matreiro e eu explodo numa alegria ingénua e genuína:
Oh, mas vamos ser tão felizes! - devolves-me o sorriso matreiro porque quase te convenci que é fácil!

( - Preste atenção Alexandra, e não distraia o seu colega que cabeça-no-ar também ele já é!)