Ali estavas tu, com os olhos mais verdes que o costume e um sorriso de deixa-me levar-te que sabes que não me deixa resistir. Entrei no carro num ápice, sem dar hipótese à consciência de pesar. É incrivel como o meu lado (tão) racional dá lugar ao coração num instante. Malditas tentações. Mal adivinhava as borboletas na barriga que tantas vezes tentei mandar embora, mas que insistem em voltar sempre que ficas mais (e mais) perto. Não houvessem borboletas e a consciência acordava a tempo.
Verdade seja dita, o coração não deu o nó nem tão pouco ficou ansioso com o que viria a seguir, como já tinha ficado. Só ficou pesado por ter roubado tempo de antena ao pensamento racional (e, consequentemente, às obrigações). E não foi por tua culpa e dos teus olhos verdes que me fazem nascer borboletas na barriga, essa é só a parte boa (ainda assim, uma parte boa em processo de regeneração). Mas vê bem, meu querido, eu tenho um mundo à minha frente, um mundo pelo qual tenho de lutar e, meu querido, preciso de manter o foco, os pés acentes na terra. Não posso andar por aí sempre a esvoaçar, qual passarinho dançante, por muito bem que me saiba. Não posso andar para sempre ao sabor do vento. Tu sabes que não, mas habituei-te mal, verdade seja dita. A ti, a mim e às borboletas. E, hábitos, leve-os o vento (digo-o, ingénua, farta de saber da sua importância), pois trazem uns tantos nós consigo, só pelo facto de exigirem um processo de desabituação futuro, não fosse essa das coisas mais complicadas que eu já tive de enfrentar. Mas, oh, nós que desamarrarei, meu querido. Eu (des)habituo-me e tu também. Só não sei se quero deixar ainda as borboletas irem embora: a mente diz que sim, mas ao coração sabe-lhe bem. Malditas tentações. Mas logo se vê. Agora tenho um mundo por que lutar, que sonhar só não chega!
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Há uma outra parte de mim, uma de pés acentes na terra, com uma visão do futuro que eu tanto admiro e que vive na busca pelos seus objectivos e que hoje chegou-me de lágrimas nos olhos, caracóis pequeninos balançantes, com certezas de um futuro despedaçado, cheia de intenções de o enterrar no meu jardim (que nem sequer é bem um jardim). Eu expliquei-lhe que há sempre um outro lado e como tudo acontece por uma razão, e no meu (quase) jardim não jaziu nenhum futuro. No meu jardim só sorrisos e corações de papel, muito mimo e amor à flor da pele que ali floresceram toda a tarde. Não fossemos nós juntas o equilíbrio e a sintonia, duas partes de um ficheiro (disse ela, que jura não gostar e não perceber nada de metáforas!).
"You're my person!"
11 comentários:
Então enquanto puderes, bebe uns quantos copos de Sol, e anda por aí ao sabor do vento, que as tentações, essas malditas, acabam por se ir embora :)
No meu jardim só sorrisos e corações de papel, muito mimo e amor à flor da pele que ali floresceram toda a tarde. e que assim continue a ser Xaninha (: *
beijinho, *
Se te fazem felizes, as tentações e as borboletas, não as devias mandar embora. São como as pessoas, os sentimentos. Quanto mais os prezares melhor eles te deixarão ;)
E depois, Xaninha, podes sonhar e voar ao mesmo tempo, sabes?
Adorei este, sinceramente.
Não posso andar para sempre ao sabor do vento. Adorei :'D
Não diria melhor: malditas trentações!
concordo com a joanita :*
Gostei do teu texto, apesar de ser a completa antítese do que sou.
Esta passgem:
'Agora tenho um mundo por que lutar, que sonhar só não chega!'
Pois, mas sem sonhos estás a lutar contra o ar.
E porquê fugir dessas coisas que não são racionais, não têm explicação e te fazem mais cabeça no ar.
Estar apaixonada, ter borboletas, andar estupidamente feliz não é um problema. É uma sorte.
Por isso, não tentes afastar isso, tenta coincidir com a tua vida.
Beijinhos*
malditas tentações , mesmo .
não há mesmo maneira de escapar pois não?
estúpidas borboletas!
assim que descobrires como mandar essas parvas embora avisa-me, sim?
talvez a culpa seja mesmo dos olhos :p
pimpo-te :) *
Fiquei mesmo contente com o teu comentário Xaninha :) Ainda bem, ainda bem que o guardaste e que te fez sentir melhor.
Se sempre foste como eu, senhora do teu nariz, tão despachada e tão consciente, então não vale mesmo de nada teres medo, mais vale continuar com o coração alegre e a cabeça despreocupada, e eu acho que tu também tens.. um coração alegre e uma cabeça despreocupada :)
continua a dançar e a esvoaçar ao sabor do vento, qual passarinho dançante, porque os medos, fora com eles, e as borboletas de vez em quando sabem bem (:
beijinho *
Acho que percebi...
*
Obrigada :$
woow para este texto *.* vou ficar atenta ao teu blog :)
Beijinho *
Lá o senhor disse "Penso, logo existo."
É assim que eu sei que existo. Eu, de facto, penso.
Não chegaste a explicar-me como sei que o mundo que vejo, ouço, provo a cada dia existe. Como sei que não é fruto da minha imaginação. Fiquei a pensar nisso. Cheguei a uma conclusão.
Eu sei que eu existo, porque eu penso. Eu sei que tu existes, porque se eu penso, tu pensas.
Então eu não sei se o mundo existe... mas sei que eu e tu existimos.
Então e se eu estiver a imaginar? Se a realidade não for esta? Não sei... Um dia vais-me explicar, se não o fizeres, para o ano, alguém o fará... Mas já não estou ansiosa. Posso não ver as cores do mundo como tu vês, mas vejo-as contigo. Que seja imaginação, pelo menos imaginamos juntas. Sempre.
(Ninguém, jamais, conseguirá separar o ficheiro. Ai do pobre de espírito que se aventure que nunca mais o sol verá enquanto for vivo! Está, agora, mais forte que nunca.)
You're my person*
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