domingo, 23 de setembro de 2007

Dança.

Não era o som daquela música que ecoava por dentro. Mas dancei na mesma! Dancei até não poder mais. Dancei até sentir a vida escorrer-me na pele. Girei sob mim mesma, girei dentro de mim mesma, ao som de um ritmo interior que mais ninguém sentia. Dancei até as lágrimas me escorrerem pela cara. Revivi momentos nas entrelinhas da concentração. Deixei de ter controlo sob o meu próprio corpo. Tropeçei, falhei tempos e contra-tempos, troquei vidas por movimentos. E todos os gestos e todos os sons eram agora "o segundo". Já não tinha mão naquela dança e o movimento vinha agora de dentro. Contudo, senti que depois de parar não seria capaz de recomeçar. E com todo o cansaço cobrindo-me a pele molhada, continuei! Desenhei o mundo com a ponta dos dedos, e a cada curva do meu corpo senti o reflexo de cada dia. Sentia tremer as pernas , mas de qualquer das maneiras, a vontade de prosseguir naquela viagem dançada era cada vez maior, e rompendo o cansaço, continuei! Perdi-me em imagens, perdi-me a cada melodia e na eternidade do minuto fui-me transformando. O ritmo aumentou, e eu rodei. Com a força interior saltei mais alto que a própria imaginação e pousei os pés descalços novamente na terra sentindo o arrepio causado pelo chão gelado tocar-me na espinha! (pausa) Acordei. Olhei-me ao espelho e senti-me presa ao chão, incapaz de voltar a saltar... Depois pensei, "e porque não?".





Esta dança continua... Hão de haver outras!

4 comentários:

Tiago Cardoso disse...

:0

Isto é profundo de mais para mim :S

Muito bem escrito... Estou impressionado :S

Esta rapariga vai dar artista de certeza :D

Continua assim, Xaninha *

Saroka disse...

Lindo

Anónimo disse...

Desculpa a invasão....descobri-te por acaso e adoro a maneira como escreves.

Boa sorte no teu desafio à gravidade! Ainda pagarei bilhete para te ir ver à capital toda pintada de verde :)*

Anónimo disse...

Olá :)
Uma dança que nos transforma em 'bailarinos' do tempo. De verde, de azul, vermelho ou multicolor, ficou a vontade da ''proxima dança''... Para quando?