Porque finalmente o Sol veio dar-me o ar da sua graça!
E eu gosto de ir no comboio com o Sol a reflectir no vidro e a aquecer-me o peito e a ponta do nariz, a fazer-me esquecer de que estou a ir para algum lado... Naquele momento estou só ali e pronto, a dançar e a cantar por dentro. Mas a voz, sem como nem porquê, desafia-me e entoa mais alto, dançante ao ritmo dos solavancos, e quando me apercebo, já alguém me sorri sem querer, por me ver tão distraída, tão criança, tão sem destino, tão sem como nem porquê! E, oh, que bem que me sabe retribuir à espontaneidade...
É então que se ouve a voz mecânica que está tão bem interiorizada como botão para acordar e voltar à realidade. Mas eu não volto, deixo-me ficar mais um bocadinho, só mais um bocadinho, convenço-me que desta vez me vou deixar ir até não haver mais linha para andar. O comboio pára. Eu mantenho-me imóvel e vejo toda a gente a entrar... No instante em que as portas se preparam para fechar e toda a gente já olhou quem saiu e quem entrou, eu traio a minha vontade e saio num ápice, quase sem ninguém dar por ela! (E uma gargalhada ecoa por dentro e brilha com o Sol!)
Subo a rua, preocupantemente despreocupada com o facto de me aproximar da realidade (de um teste dificílimo) que se aproxima e, que naquele momento, eu ignoro por completo. Olho as pessoas que passam por mim e que já reconheço do trajecto repetido de todas as manhãs: é engraçado como nos cruzamos com as pessoas, como elas se transformam em nós, mesmo não as conhecendo verdadeiramente, como é tão fácil desenhar uma personalidade escondida atrás de um olhar ou de um (não-)sorriso; e mais engraçado ainda é como as pessoas que temos presas a nós têm ainda tanto para nos dar a conhecer, nos deixam ainda tanto por descobrir e isso confunde-me quase tanto quanto me fascina, isto porque tenho a mania de unir os pontos todos tendo já em vista o futuro e esqueço-me que só o posso fazer relativamente ao passado.
Passei os portões e durante todo o dia consegui um equilíbrio entre a realidade e aquela nesga de imaginação em estado sólido agradável ao toque e ao sabor dos sorrisos que pintaram este dia de Sol.
De volta ao comboio, à estação, com os pés mais acentes na terra.
Fiz questão de ir à praia ver o Sol pôr-se... Ele acompanhou-me e abraçou-me com palavras que me ensinavam a ver o mundo e as coisas de outra maneira. Ficamos ali, até só se ver um rasto avermelhado no horizonte, juntamente com o som e o cheiro do mar que me gritavam a sua beleza e inquietude! Naquele momento, tive certeza de um para sempre qualquer, mas como não tenho muito jeito para dizer estas coisas não o disse. Mas eu sei que ele percebeu. Só lhe consegui agradecer por me ter ensinado mais um bocadinho, por se ter deixado descobrir um bocadinho mais e por ter descoberto um bocadinho mais de mim...
(Algarve08)
E o Sol desapareceu, perdido no horizonte, reflectido no mar, com a certeza de me ter proporcionado um dia não mais que normal, mas que afirmou e sublinhou o sossego contrabalançado com a pressa interior com que gosto de viver!
9 comentários:
Ainda bem que os teus escritos ficam registados, tenho a certeza que um dia vais escrever letras para musicas, só espero é que consigas fazer a musica ao nivel das tuas letras, são mesmo melodiosas. Ah, e ainda bem que estas a resolver os teus ¨momentos¨. P.
Os teus posts, que leio atentamente, crescem em mim tão sem como nem porquê!.
O da tua avó continua a ser o meu preferido, confesso. $
e porque te leio, achei que deverias saber que, para além disso, gosto. Muito, até. *
Um beijinho solarengo.
"Passei os portões e durante todo o dia consegui um equilíbrio entre a realidade e aquela nesga de imaginação em estado sólido agradável ao toque e ao sabor dos sorrisos que pintaram este dia de Sol."
o equilibrio que me transmites todos os dias :) Um beijinho de Ribeirao para Boelhe :)
Parece quase magia como o sol, a chuva, a música e as danças se mantêm presentes em tanto do que escrevemos. Talvez por serem tao naturais! E nos fazerem crescer naturalmente, como quem respira.
Beijinhos Xani :)*
:) Obrigada :)
Beijinho*
O Sol nunca nos abandona! Tu não paras de brilhar e iluminar a nossa imaginação lendo os teus lindos textos. Não é dificil perceber que retratas momentos muito particulares, muito teus, que agora também são nossos. A tua 'viagem' no crescimento que agora desafias não será melhor ou pior que a de outros simplesmente será a tua. Não des 'boleia' a passageiros desconhecidos, podes sempre retribuir o sorriso, talvez dessa forma percebam que de onde vens e para onde vais só há lugar á alegria, á poesia, á musica, á dança..., ao verdadeiro sentido de viver como se tudo termine dai a momentos! E para isto não é preciso viver com pressa, podes sempre fazer uma 'paragem' e retomar uma nova direcção, basta acompanhar o tempo que sempre com muito tempo o tempo te espera.
um xiii.
muito obrigada pelo comentário (: eu tambem gosto muito de passar por aqui, acho que todos os teus textos transmitem muita, muita paz!
Naquele momento estou só ali e pronto, a dançar e a cantar por dentro. Mas a voz, sem como nem porquê, desafia-me e entoa mais alto, dançante ao ritmo dos solavancos, e quando me apercebo, já alguém me sorri sem querer, por me ver tão distraída, tão criança, tão sem destino, tão sem como nem porquê!
Fazes mesmo passar esta harmonia para todas as pessoas, mesmo através do que escreves, e olha que sabe muito bem :)
um beijinho *
adorei este teu cantinho recheado com textos maravilhosos. Adorei este, principalmente :p
beijinhos :*
Hey, vão dias tempestuosos por aqui, mas recheados de sabor. Amei poder voltar a saborear a chuva de raios que o sol irradiava sobre o mar e aquelas gaivotas todas perdidas da vida.
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