Despi-te o meu coração muito devagarinho, tentei explicar-te por palavras o que à tanto tempo tinha a viajar-me no peito e na barriga num desassossego só, ao meu jeito de não conseguir esconder verdades que tu descobres sempre (mesmo sem eu falar), tudo muito pensadinho, bem contra a tua vontade de me entrar mente dentro e arrancar verdades nuas e cruas que eu optei por servir com calma, medindo cada consequência que elas teriam no teu olhar. Ás vezes, acho que me esqueço que és tu e que não há nada que não te possa dizer...
Não podia ser de outra maneira, destorceste a minha alma de mulher(zinha) e mostraste-me mais uma vez como tudo era tão fácil e como tudo se desenrolava às mil maravilhas entre nós. E eu que me deixasse de querer dar nomes a sentimentos e me resignasse a vivê-los e a senti-los que isto é uma coisa boa e não exige tabelações. Mas tenta perceber que há uma altura em que é preciso dar explicações à alma, é preciso descontruir as situações e percebê-las depois de as ter vivido, sentido e sugado até ao tutano.
Fiquei mais leve e tirei pés do chão e cabeça do ar o resto do dia.
Mesmo assim... Fiz como tinhas dito.
Desci à mesma praia que desço sempre que preciso de um abraço de maresia e de vento-norte a refrescar o coração. Ouvi-te em surdina: inspira...e expira! complicações?! fora com elas!, que eu gosto de tornar metáforas em realidade e espantei gaivotas juntamente com o peso na consciência de (achar) ter-te escondido alguma coisa que devesse ter-te posto a nu mais cedo. Pelo menos por momentos... Pelo menos enquanto o Sol beijava o mar e pintava tudo com quantas cores o vento tem!
Porque eu vou continuar a despir(-te) o meu coração, muito devagarinho, até aprender a lidar com isto sem ficar com o peito e a barriga num desassossego só!
